terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Loucura conveniente

"Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" (1 Coríntios 1.27)
Existem algumas situações extraordinárias em que encontramos o Reino de Deus. Em geral, esperamos encontrá-Lo nas boas obras e ações altruístas, as quais são legítimas identificações dos cidadãos desse lugar. Entretanto, considerando a sabedoria de Deus como loucura para os homens, acontecimentos injustos aos olhos do mundo se tornam a alegria do justificado pela fé.
Diferente do senso comum, o Reino de Deus pode não ser experimentado em uma demonstração de justiça, mas no sofrimento de uma injúria. Assim que Jesus nos orienta em seu famoso Sermão da Montanha (Mateus 5, 6 e 7). Ele nos ensina que o Reino é encontrado quando oferecemos a outra face logo depois de uma agressão, em andar mais de uma milha mesmo se a primeira foi forçada, ou ainda entregar a um assaltante mais do que nos foi requerido.


Dessa forma, entendemos a razão pela qual o cristianismo verdadeiro é tão impactante na Terra. Diante de geleira espiritual desesperadora do mundo, os homens e mulheres tocados pela graça do Filho de Deus são verdadeiras chamas de esperança. O amor se torna o combustível que impulsiona o discípulo de Jesus a viver conforme a “loucura do evangelho”. Então, guiados pelo Espírito Santo, eles se tornam testemunhas de um Reino vindouro, capazes de abalar as estruturas do secularismo e brilhar em meio às trevas solitárias da existência humana.


Em suma, a intensidade do amor no coração do verdadeiro cristão o faz experimentar o Reino de Deus nas situações mais perturbadoras para os homens incrédulos. Assim, esses valentes defensores da promessa celestial demonstram sua fidelidade ao Rei. Não revidando as agressões, mas humilhando o mal com o amor.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Você crê no amor de Deus?

E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele. (1 João 4:16)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A fogueira da Iniquidade

"Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos." (1 João 4:9)

Desde o dia em que aprendi o significado de iniqüidade, não parei de analisar o quão destruidoras são suas conseqüências. Em resumo, ela é a dureza e a insensibilidade de um coração, o qual não se importa mais com o pecado.  Assim, o iníquo comete progressivamente erros mais graves e não sente nem uma gota de arrependimento. Ou seja, uma vida sem lei.
A fogueira da iniqüidade é alimentada pela lenha da banalização. Na medida em que uma pessoa começa a aceitar como normal as mazelas da vida, novas labaredas surgem, de forma a se tornar um incêndio incontrolável. Então, a consciência individual é ofuscada pelo brilho das chamas, e não mais notada. Aquilo que antes era um alerta se transforma em desculpas, cujo objetivo é maquiar o pecado, dando-lhe uma aparência mais aceitável. Assim, a iniqüidade entra em cena, escravizando seu detentor.



Essa reflexão se intensificou logo após o término de uma festa de aniversário. Ao voltarmos por uma estrada, alguns cachorros saíram de um dos lados da pista, latindo para o carro. Porém, um deles acabou entrando bem na frente do automóvel. Havia como frear o veículo antes do choque, mas o motorista nem mesmo tirou o pé do acelerador, passando por cima do animal. E para finalizar o episódio carregado de brutalidade, ele, sem demonstrar nenhuma preocupação com o agonizante choro do cão, fez o que qualquer ditador sem escrúpulos faria: identificou como culpado a vítima e para ela apontou, com certo sarcasmo, o mérito de tal sofrimento por ter entrado em seu caminho.
Ao chegar em casa, a lembrança do triste acontecimento veio inevitavelmente a mim.  Comecei a não ver mais aquela vítima como um cachorro de rua, mas as tantas mulheres cujos casamentos foram atropelados pela iniqüidade de seus maridos. O cão se transformou nas incontáveis vidas cheias de traumas psicológicos, feridas pelas rodas da insensibilidade dos pais e familiares. Compreendi suas indignações, quando a esperança guardada no fundo dessas almas é esmagada pelo desprezo de seus agressores.



São nesses momentos que, com assombro, faço das palavras do apóstolo Paulo minhas: o amor de Cristo nos constrange. Muitos homens imperfeitos como eu poderiam ter misericórdia da vítima, mas amar o agressor somente através de Jesus é possível. Sem dúvida alguma, seu sacrifício na cruz é a maior expressão de amor demonstrada em todos os tempos, pois seu sangue foi derramado para livrar da morte tanto o iníquo quanto as vítimas da dureza de coração. Afinal, os dois são vítimas, direta ou indiretamente, do pecado que um dia entrou no mundo.

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I Coríntios XIII


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